“Até quando, Senhor?”

(Salmo 13:1)

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Brasil

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde sobre pessoas atendidas em hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) no país, no período de 2009 a 2014 no Brasil, dentre os 720 mil casos de violência geral denunciados por meio do SUS, 100 mil foram de violência sexual. Dentre esses, cerca de 297 mil casos eram de violência geral contra crianças e adolescentes abaixo de 19 anos (41.25% das denúncias de violência geral) e 77 mil eram de violência sexual infantil (77% das denúncias de violência sexual do país e 26% das denúncias de violência entre crianças e adolescentes).

Portanto, a cada 10 pessoas que sofrem violência sexual denunciada pelo SUS, 8 são crianças. Enquanto as crianças têm aproximadamente a mesma chance de sofrerem violência que um adulto, elas são 4 vezes mais propensas a sofrerem violência sexual. Dentre os 297 mil casos de violência geral reportados pelo SUS neste período, 60% contra meninas e 40% eram contra meninos. Dentre os 77 mil  casos de violência sexual infantil, 84% eram contra meninas e 16% contra meninos.

63% dos casos de violência sexual infantil ocorreram dentro da residência da vítima ou do abusador; em 71% dos casos o(s) abusador(es) era(m) alguém de confiança da vítima; 31% eram amigos, conhecidos ou namorados(as); 27% eram familiares próximos (11% pai, 11% padrasto, 2.7% mãe, 2.6% irmão(ã), 0.2% madrasta). 

A maior parte (44.6%) dos meninos vítimas sofreram a violência sexual entre 5-9 anos de idade, enquanto as maior parte (43%) das meninas vítimas sofreram entre 10-14 anos; 32% das denúncias de violência sexual infantil ocorreu no Sudeste, 22.5% no Nordeste, 17% no Sul, 15.5% no Norte e 13% no Centro-Oeste.

Por mais estarrecedores que essas estatísticas sejam, elas representam apenas os casos que são denunciados pelos hospitais que atendem pacientes apresentando casos evidentes de violência. No entanto, grande parte dos casos de abuso sexual infantil não envolvem uso de violência, ou só são descobertos muito tempo depois de ocorrido, quando não há mais evidências físicas do assalto sexual. 

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, que é considerado um país desenvolvido, existem pesquisas extensivas sobre o assunto com números ainda mais alarmantes. As estatísticas a seguir foram publicadas pela organização Darkness to Light (“Das Trevas Para a Luz”), que compilou todos os artigos científicos, entrevistas socio-demográficas, pareceres de profissionais da saúde mental e denúncias obtidas por meio de órgãos públicos. 

– Cerca de 1 a cada 10 crianças serão abusadas sexualmente antes de completarem 18 anos;

– Cerca de 1 a cada 7 meninas e 1 a cada 25 meninos serão abusadas sexualmente antes de completarem 18 anos;

– A estimativa é de que este ano, 400 mil bebês nascidos nos Estados Unidos serão vítimas de abuso sexual;

– Aproximadamente 70% de todos os casos de abusos sexuais ocorrem contra crianças e adolescentes abaixo de 17 anos. Eles possuem maiores chances de se tornarem vítimas do que adultos;

– Cerca de 90% das crianças que são vítimas de abuso sexual conhecem os seus abusadores;

– Aproximadamente 30% das crianças que são abusadas sexualmente são abusadas por algum membro da família;

– Quanto mais jovem a vítima, maior a chance de que seja por alguém da família (incesto). Dentre os que molestam crianças abaixo de 6 anos, cerca de 50% são membros da família;

– Cerca de 60% das crianças que sofrem abuso sexual são abusadas por alguém que a família confia;

– Aproximadamente 40% das crianças que são abusadas sexualmente são abusadas por outras crianças ou adolescentes mais velhos ou mais fortes; Em 43% dos casos, adolescentes mais velhos são responsáveis pelo abuso de crianças abaixo de 6 anos de idade;

– Em 84% dos casos envolvendo crianças abaixo de 12 anos, o abuso sexual ocorre dentro de casa—a casa da vítima ou a casa do abusador;

– 70% dos abusadores sexuais têm de 1 a 9 vítimas, enquanto 20% têm de 10 a 40 vítimas;

– Pesquisadores estimam que apenas 38% das crianças vítimas revelam o fato  de que sofreram abuso sexual; dentre esses, 40% escolhem contar para um amigo próximo, ao invés de um adulto ou uma autoridade;

– É estimado que apenas 4 a 8% de denúncidas contra abuso sexual infantil sejam mentiras fabricadas. A maioria desses raros casos envolve dispustas entre adultos pela custódia de crianças e adolscentes.


Referências:

Townsend, C. & Rheingold, A.A. (2013) Estimating a child sexual abuse prevalence rate for practioners: A review of child sexual abuse prevalence results. Charleston, S.C., Darkness to Light. Disponível em www.D2L.org.  Acessado em Setembro 2017